O QUE É OBESIDADE?
A obesidade é uma doença progressiva que resulta do desequilíbrio
entre o consumo alimentar e o gasto energético. É fruto de influências genéticas
(geralmente há mais obesos na família), distúrbios metabólicos (engorda-se
desproporcionalmente à quantidade de calorias ingeridas) e ambientais (oferta
e estímulo ao consumo de alimentos impróprios).
COMO É CARACTERIZADA A OBESIDADE?
O conceito de obesidade baseia-se na proporção entre o peso
e a altura do indivíduo, o que representa o ÍNDICE DE MASSA CORPÓREA (IMC)
= Peso (Kg) / Altura (m)². O peso ideal deve corresponder a um IMC inferior
a 25. Sobrepeso é definido quando de IMC entre 25 e 30, onde estão indicados
a reeducação alimentar e os exercícios para sua correção. Fala-se em obesidade
quando o IMC supera 30 e nestes casos, além da dieta e dos exercícios, podem
ser necessários medicamentos que controlem o apetite e diminuam a absorção
de gorduras. Índices de Massa Corpórea superiores a 40 indicam um estado patológico
extremamente grave (OBESIDADE MÓRBIDA), associado à uma série de doenças (COMORBIDADE),
com graves riscos à saúde e à vida.
QUAL É O TRATAMENTO CIRÚRGICO PARA A OBESIDADE?
Conhecida como CIRURGIA BARIÁTRICA, visa diminuir o volume
do estômago de 1800 ml para apenas 20 a 30 ml, de forma a limitar a ingestão
alimentar e causar sensação de saciedade precoce. Nada é removido do organismo
e sim, restringindo o seu uso. A técnica mais utilizada mundialmente é conhecida
pelo nome de seu idealizador, Dr. Rafael Capella, denominada GASTROPLASTIA
VERTICAL EM Y DE ROUX (GVYR). Esta é a técnica mais
utilizada.
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Foto do aspecto final da gastroplastia |
Foto dos Drs. Rafael Capella, Arthur Garrido e Edmundo Anderi Jr. |
Balão Intragástrico
Um método bariátrico ( para perder peso ) menos
agressivo que a cirurgia consiste na colocação por endoscopia
de um dispositivo que será preenchido com cerca de 700 ml de soro e
azul de metileno. Este balão ocupando quase metade da capacidade do
estômago, comprimindo suas paredes, estimula o centro da saciedade,
reduzindo acentuadamente o apetite e, mesmo que este perdure, o balão
impede a ingestão de grande quantidades de alimentos.
Após preparo e orientação nutricional,
a obeso, em jejum prévio de 12 horas, em nível ambulatorial
( sem precisar internação ) é submetido à sedação
( irá dormir, porém não se trata de anestesia geral ),
realizada endoscopia e, na ausência de doenças ulcerosas ou neoplásicas,
é colocado o balão vazio e enchido durante o exame, que não
dura mais que 20 minutos. Após estar bem acordado, em média
em 30 a 60 minutos, o paciente pode retornar ao seu lar.
A primeira semana com o balão intragástrico é
desconfortável, podendo ocorrer náuseas, vômitos ou dor
de estômago, que são tratadas com medicação específica.
Durante todo o período em que o balão estiver colocado, o paciente
deverá tomar um protetor gástrico ( omeprazol ) para evitar
a formação de gastrites. Geralmente, após este período,
o estômago adapta-se ao balão e o desconforto desaparece.
A durabilidade do balão, garantida pelo fabricante é
de seis meses e caso haja rotura do mesmo antes deste período, é
fornecido gratuitamente outro balão. O balão deverá ser
retirado – também por endoscopia, com os mesmos cuidados para
passá-lo – antes de sua rotura. Caso esta ocorra, o paciente
não perceberá nada, exceto a urina esverdeada pelo azul de metileno.
Este é o aviso para que ele procure a equipe num prazo inferior a 12
horas para retirá-lo, antes dele migrar para o intestino.
Se o obeso seguir as orientações nuttricionais,
poderá perder em um semestre até 20 por cento de seu peso !
Trata-se de um método temporário, como se o obeso estivesse
em um spa na sua própria casa e sem se afastar de seus afazeres, com
a vantagem de não passar fome. Após a retirada do balão,
caso o obeso não se reeduque, poderá novamente engordar . Após
três meses de descanso do estômago, querendo, poder-se-á
passar novo balão, para emagrecer ainda mais.
Trata-se de um método experimental e portanto, não
coberto por nenhum convênio, nem pelo SUS , sendo necessária
sua aquisição junto à firma importadora. A CETCO é
pioneira no grande ABC na colocação do balão intragástrico.
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Foto do balão vazio ao lado de outro cheio |
Foto do balão cheio ao lado de outro esvaziado |
Banda Gástrica Ajustável
Outro método cirúrgico para o tratamento da obesidade
mórbida consiste na colocação de uma cinta em volta do
estômago, como um espartilho, dificultando a passagem dos alimentos
e levando à saciedade precoce. Trata-se de uma cirurgia, com a vantagem
de ser feita por via laparoscópica - sem a necessidade de um grande
corte, e sim, de cinco pequenos orifício menores que 1 cm. Possui um
dispositivo que fica em baixo da pele da barriga, através do qual o
cirurgião pode apertar ou folgar esta cinta.
Representa a preferência dos cirurgiões europeus
– as bandas são francesas ou suecas - entretanto, não
desfrutam de prestígio entre os especialistas brasileiros por não
produzirem resultados expressivos , com média de perda de 30% do peso
inicial, e de poder escorregar e ter de ser retirada em nova cirurgia laparoscópica.
O SUS não cobre esta cirurgia e, há
dificuldades de aprovação por muitos convênios, devido
ao emprego de material importado ( a banda ).
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Foto da banda aberta |
Foto da banda laçada |
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Foto da ilustração do posicionamento da banda no estômago e cicatrizes para a colocação da mesma |
Derivação Bileopancreática
Trata-se de uma cirugia mista, tanto restritiva, quanto disabsortiva. Ao contrário da cirurgia de Capella, onde há apenas a divisão do estômago, nesta técnica, mais da metade deste órgão é removida e o desvio intestinal é muito maior, com pequena área de contato das enzimas digestivas com os alimentos.
Apresenta maiores perdas de peso, estando indicada para os pacientes superobesos, pois apresenta algumas particularidades indesejadas como fezes oleosas e gases com odor muito desagradável.
Marca Passo Gástrico
Recentemente, houve a divulgação de outro método
experimental para o auxílio no emagrecimento, a colocação,
também por laparoscopia, de um eletrodo na parede do estômago,
para que ele esteja sempre contraído, levando à sensação
de saciedade. Infelizmente, no estágio atual dos experimentos não
houve bons resultados em todos os voluntários. Continuaremos aguardando
o aperfeiçoamento do método para, com segurança, oferecê-lo
aos nossos pacientes.
COMO FICAM AS REFEIÇÕES DOS OBESOS OPERADOS?
Com o estômago reduzido a 20 ou 30 ml, o operado tem de
ingerir, depois de um mês de adaptação onde apenas toma líquidos,
no máximo 200 g por refeição. Como o "novo" estômago
permanece inervado, ao se encher com comida, produz a sensação
de saciedade, PERDENDO-SE A FOME!
É importante comer muito devagar, caso contrário haverá náuseas
e vômitos. Não se pode abusar dos doces, pois podem surgir sintomas de mal
estar, devido sua rápida absorção.
QUEM PODE E QUEM NÃO PODE SER OPERADO?
Esta cirurgia esta indicada para pacientes com IMC igual ou
superior a 40 ou com índices menores, porém com doenças associadas (hipertensão,
diabetes, doenças articulares, apnéia do sono). Não pode ser realizada em
pacientes com problemas cardíacos ou respiratórios graves ou distúrbios acentuados
de coagulação.
PREPARO PARA A CIRURGIA
O candidato à operação precisa obrigatoriamente de uma avaliação
e preparo psicológico e nutricional para prepará-lo para uma nova realidade
de vida. Opera-se o estômago, mas não a CABEÇA dos obesos. Crucial para um
bom resultado é a estreita participação do psicólogo, antes e depois da operação,
posto que, muitas vezes a obesidade serve de escudo e de válvula de escape
para conflitos não solucionados, impedindo o aparecimento de outros problemas
e ensinando o obeso a encarar esta nova realidade, a ter uma nova vida! A
avaliação psicológica pré-operatória inclui um estudo da personalidade, da
qualidade de vida e de aspectos patológicos como: estima rebaixada e isolamento,
ódio, negação do próprio corpo (VERGONHA), negação do espelho (NÃO SE REFLETE),
ansiedade/Compulsão (DEPRESSÃO).
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Em alguns pacientes predispostos, a cirurgia pode desencadear
algumas reações psicológicas indesejáveis, que são facilmente resolvidas com
um acompanhamento psicológico: medo e manias; substituições e compulsões no
trabalho; na relação sexual; no relacionamento familiar e interpessoal. A
psicoterapia visa obter um aumento da auto-estima, com valorização de si mesmo,
conduzindo a uma adaptação ao meio, voltando o obeso a estudar, trabalhar,
namorar, ter vida sexual ativa, inclusive atuando junto à família do obeso.
EXAMES PRÉ-OPERATÓRIOS
É necessária uma rigorosa avaliação pré-operatória, para não
se correr nenhum risco desnecessário. São solicitados exames laboratoriais
(hemograma, glicemia, sódio e potássio, uréia e creatinina, T3, T4 e TSH,
urina tipo 1 e protoparasitológico); eletrocardiograma e raio X de tórax além
de provas de função respiratória, endoscopia e ultra-som de abdome. De posse
destes exames, o obeso é avaliado por um cardiologista, para quantificação
e cuidados específicos durante a internação e cirurgia. No hospital, também
será avaliado antes da operação pela equipe de anestesistas.
PRÉ-OPERATÓRIO
Na véspera da cirurgia, o obeso não deve fazer "uma despedida
dos prazeres da comida", devendo-se alimentar de líquidos, além de tomar
um anti-flatulento (dimeticona) e um laxante suave (tamarine). O jejum deve
ser iniciado à partir das 22 horas do dia que antecede a operação. Deve se
dirigir ao Hospital para ser internado, no mínimo duas horas antes do horário
previsto para a cirurgia, munido de seus documentos pessoais, do convênio,
carta de internação e de TODOS OS EXAMES PRÉ-OPERATÓRIOS. É necessário trazer
pelo menos duas mudas de roupa, dois pijamas ou camisolas, um agasalho confortável,
material de higiene íntima e um chinelo com sola não derrapante. É fundamental
que o paciente tenha previamente comprado duas cintas (faixas contensoras
com velcro), e não se esquecer de trazê-las, pois serão usadas já no primeiro
dia de pós-operatório. A CIRURGIA dura aproximadamente três horas, entretanto
o paciente permanece na sala de recuperação pós-anestésica por mais algumas
horas, com a supervisão constante da equipe anestésica. Em casos especiais
(raro), o primeiro dia de operado pode ser feito na UTI, em função de dificuldades
respiratórias em grandes obesos. Geralmente há pouca dor, facilmente contornada
por medicação e, o paciente é estimulado a sair precocemente da cama e andar.
Isto evita complicações respiratórias. Durante a internação, o paciente recebe
injeções de anticoagulantes e antibióticos, que asseguram uma evolução segura.
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RISCOS
Como toda cirurgia de grande porte, envolvendo pacientes com
distúrbios metabólicos há riscos! Mesmos em equipes com grande experiência
(mais de 1500 obesos operados) complicações acontecem, como problemas respiratórios
(embolia pulmonar ou atelectasia) ou abdominais (deiscências e supurações).
O índice de mortalidade está em torno de 2% , entretanto a possibilidade de
morte para o grande obeso não operado é 12 vezes maior que um não obeso! Por
estas razões, torna-se obrigatório seguirem-se todas as regras!
DIETA E CUIDADOS NO PRIMEIRO MÊS DE OPERADO
Já no primeiro dia de operado são liberados água e chá, que
devem ser tomados aos poucos e constantemente. Do 2º ao 30º dia apenas podem
ser ingeridos líquidos (sucos, chás e sopas coadas), para não se forçar o
"novo" estômago. É necessário nos primeiros 60 dias tomar uma medicação
para diminuir a acidez gástrica. Por sete dias é administrado antibiótico
e, durante a internação, o anticoagulante. Os esforços neste período são proibidos,
para se evitar o aparecimento de hérnias: carregar pesos, atividade sexual,
dirigir carros, ou subir e descer freqüentemente escadas.
SEGUNDO MÊS EM DIANTE
Gradualmente, o paciente operado é liberado para os exercícios
(caminhada, hidroginástica, esteira), atividade sexual, dirigir automóveis
, etc. Como ocorre drástica restrição da quantidade alimentar, há a necessidade
de suplementação vitamínica diária e permanente. É fundamental que o operado
NUNCA SE ESQUEÇA que seu estômago está 97% menor e NUNCA dê grandes "bocadas",
limitando-se a ingerir, NO MÁXIMO 200g por refeição, mastigando-a demoradamente,
já que o diâmetro de passagem dos alimentos é de cerca de 1,2 cm.