O estresse, o sedentarismo e a maior oferta de alimentos impróprios representam o aspecto Ambiental na gênese da obesidade. O aspecto Hormonal e Metabólico fundem-se com o Neurológico, por exemplo, na menopausa ou no uso de certos anticoncepcionais que diminuem a liberação de serotonina, importante neurotransmissor que regula o controle da saciedade. Esta complexidade de fatores explica a dificuldade de emagrecer e, mais ainda, permanecer assim, sendo extremamente comum os obesos que, com grande sacrifício emagreceram, recuperarem o peso além de outros quilos adicionais. Isto exposto define o que é obesidade, gradua-lhe a intensidade, seus mecanismos e conseqüências, indicando a razão para tratá-la: É UMA DOENÇA GRAVE E NÃO UMA FRAQUEZA DA PERSONALIDADE!!! Deve-se ter sempre em mente que, sendo uma doença complexa e grave, as soluções também o são! O obeso espera sempre um milagre: uma dieta ou um remédio que, sem grandes sacrifícios, faça-o emagrecer e devolvê-lo à vida plena! Infelizmente, isto ainda é impossível. Talvez em breve a terapia genética possa abreviar este sofrimento.
É fundamental resgatar a auto-estima do obeso, livrá-lo de críticas e da compaixão, que lhes são extremamente dolorosas. Esgotados os recursos clínicos e comportamentais e diante de um obeso grave, com peso superior a 100% do esperado para sua altura, abre-se uma nova perspectiva para o combate à obesidade: a cirurgia! Desde 1954 têm-se buscado alternativas cirúrgicas para este sério problema. As operações iniciais retiravam do trânsito alimentar grandes segmentos do intestino delgado, ocasionando graves distúrbios nutricionais e metabólicos, sendo progressivamente abandonados. A partir de 1982 o enfoque foi direcionado para reduzir o tamanho do estômago (GASTROPLASTIAS REDUTORAS), possibilitando perdas de até 40% do peso do obeso, ganhando paulatinamente a confiança e aprovação da classe médica. Hoje, cientes da gravidade e incidência desta doença, já existem cursos de especialização que visam treinar e aperfeiçoar o cirurgião para este tipo de tratamento. Um dos pilares do sucesso da cirurgia para a obesidade mórbida, conhecida como CIRURGIA BARIÁTRICA (BAROS = peso; IATREN = tratar) é encará-la como apenas uma etapa no complexo tratamento da obesidade mórbida, aliada à uma reeducação alimentar e ao re-equilíbrio psicológico. Opera-se o estômago, mas não a cabeça do obeso, que continua a cultivar os mesmos vícios e posturas! É fundamental, antes e depois da cirurgia bariátrica, o concurso da nutricionista estudando individualmente os erros alimentares, as carências e necessidades, para confeccionar e orientar o cardápio dos operados.
Nos primeiros 30 dias, a dieta deve ser líquida e hipocalórica, para haver adaptação gradual do estômago operado e de todo o organismo, impedindo a ocorrência de mal estar, tontura ou náuseas. Inicia-se com volumes de 50 ml (uma xícara de café) principalmente líquidos, administrados regularmente: água sem gás, água de coco, sucos de frutas coados, água de coco e gatorade, leite desnatado, sopas coadas (caldos) e gelatinas. Após o primeiro mês já se pode ingerir sólidos, qualquer alimento, sempre respeitando um volume menor, em torno de 200 ml (um pires de chá), pausadamente (utilizando-se de uma colher de chá), em três refeições diárias, devendo-se seguir estas regras, caso contrário haverá náuseas e vômitos. Evita-se comer nos intervalos, já que a partir da cirurgia o tempo de refeição será substancialmente maior. Não haverá sensação de fome, pois o estômago reduzido rapidamente se enche, levando esta informação ao CENTRO DE SACIEDADE no cérebro, já que a inervação gástrica permanece intacta, produzindo-se a impressão de TER COMIDO MUITO! Neste tipo de cirurgia, há a conservação da massa muscular, havendo consumo apenas do tecido adiposo, sendo necessário a administração de complexos vitamínicos para não ocorrer quadros carenciais. As dúvidas mais comuns podem assim ser explicadas:
Quem pode ser operado?
Pacientes com IMC superior a 40. Ausências de doenças graves (cardíacas, pulmorares, renais). Ausência de distúrbios psiquiátricos não compensados. Obesos não-mórbidos com doenças associadas (doença plurimetabólica).
A cirurgia pode ser desfeita?
Sim, entretanto o paciente voltará a engordar.
Quanto tempo dura a cirurgia?
Em média, três horas.
Qual é o tempo de internação?
Caso não haja intercorrências, de três a cinco dias. Nem sempre é necessário ficar na UTI.
Quais são as complicações?
Pode haver pequena saída de secreção pela incisão. Raramente ocorre coagulação anormal do sangue, com a formação de coágulos que migram para o pulmão (embolia pulmonar), pois utilizam-se substâncias que previnem a embolia (heparina). Ainda mais raro é a ocorrência de deiscências (pontos que se abrem).
Pode haver morte?
Como em qualquer cirurgia de grande porte há este risco, entretanto sua incidência menor que 1,5%, enquanto que o risco de morrer pela obesidade mórbida é 12 VEZES SUPERIOR à população não obesa! Igualmente crucial para um bom resultado é a estreita participação do psicólogo, antes e depois da operação, posto que, muitas vezes a obesidade serve de escudo e de válvula de escape para conflitos não solucionados, impedindo o aparecimento de outros problemas e ensinando o obeso a encarar esta nova realidade, a ter uma nova vida! A avaliação psicológica pré-operatória inclui um estudo da personalidade, da qualidade de vida e de aspectos patológicos como: Estima rebaixada e isolamento, Ódio, Negação do próprio corpo (VERGONHA), Negação do espelho (NÃO SE REFLETE), Ansiedade/Compulsão (DEPRESSÃO).
Em alguns pacientes predispostos, a cirurgia pode desencadear algumas reações psicológicas indesejáveis, que são facilmente resolvidas com um acompanhamento psicológico: medo e manias; substituições e compulsões no trabalho; na relação sexual; no relacionamento familiar e interpessoal. A psicoterapia visa obter um aumento da auto-estima, com valorização de si mesmo, conduzindo a uma adaptação ao meio, voltando o obeso a estudar, trabalhar, namorar, ter vida sexual ativa, inclusive atuando junto à família do obeso.
DÚVIDAS QUANTO A ANESTESIA
Anestesia é o estado de total ausência de dor e de outras sensações.
Se for anestesia geral o paciente dormirá e de nada se lembrará
ao término da operação. Caso seja regional ( raqui, peridural
ou bloqueios nervosos e vasculares ), o paciente pode ficar acordado, porém
sem nenhum incômodo. Em todas as situações, todos os sinais
vitais ( respiração, batimentos cardíacos, oxigenação
do sangue e pressão arterial ) estarão sendo registradas por
aparelhos específicos e controlada pelo anestesista, verdadeiro guardião,
estando ao lado do paciente até que ele seja liberado para o quarto.
Por que o medo da anestesia ?
Todos têm medo do desconhecido, de ficar à mercê de alguém
que mal conhecem. É como viajar de avião. O bom contato prévio
com seu anestesista e a confiança que a equipe médica deposita
neste profissional, seguramente, vai tranqüilizá-lo. Sempre é
prescrito uma medicação pré anestésica ( feita
ainda no quarto ) que relaxa o paciente.
Não haverá dor enquanto estiver dormindo ?
O uso contínuo dos anestésicos impede que haja qualquer evento
doloroso durante a operação e, a anestesia não acaba
antes da cirurgia !
Há riscos na cirurgia ?
São muito raros, porém existem. Com a monitorização
dos dados vitais do paciente e a vigilância constante do anestesista,
caso ocorram intercorrências, há tempo e material para corrigi-las
com segurança.
Como colaborar para diminuir os riscos ?
Manter um jejum prévio de 12 horas. Remover da boca pontes e dentaduras,
retirar jóias e adornos, parar de fumar assim que a cirurgia for indicada,
emagrecer para facilitar o desmame dos aparelhos de respiração.
Avisar se tem ALERGIAS, ou se teve problemas em outras operações.
O que acontece após terminar a anestesia ?
O paciente permanece na sala de operações até acordar
e poder ser retirado o tubo traqueal que garantia a respiração
durante a cirurgia. É , então transferido para a sala de recuperação,
ainda dentro do centro cirúrgico, onde fica por duas a três horas,
até ser liberado para o quarto. Algumas vezes poderá ocorrer
tremor ( que um cobertor cortará ), náuseas ( combatidas com
medicação específica ) e sonolência. Dificilmente
ocorrerá dor e para ela há remédios eficientes. Comum
é a queixa de irritação na garganta, devido ao tubo traqueal,
mas desaparece em um ou dois dias.
A CETCO - CLÍNICA ESPECIALIZADA NO TRATAMENTO CIRÚRGICO
DA OBESIDADE, é pioneira no Grande ABC no tratamento integrado da obesidade mórbida. É composta por equipe cirúrgica, nutricionista e psicóloga com especialização nesta modalidade terapêutica, junto ao INSTITUTO GARRIDO.
É responsável pelo Serviço de Cirurgia Bariátrica da Faculdade
de Medicina do ABC, onde atende à população carente da região, conduzindo estudos clínicos para um melhor reconhecimento desta doença e de seu tratamento. O endereço da unidade particular é Rua Catequese, 1.149, cj. 52 - Santo
André, telefone (e fax) 4990-1223.
A CETCO realiza mensalmente reuniões multidisciplinares, abertas aos que desejam conhecer maiores detalhes sobre a obesidade e a Cirurgia BARIÁTRICA. Trata-se de uma oportunidade de reunir pessoas interessadas no assunto e difundir os aspectos mais importantes desta doença, procurando dirimir as dúvidas quanto às indicações, preparo, técnica e conseqüências da CIRURGIA PARA A OBESIDADE MÓRBIDA.